A tragédia que assolou a região serrana do nosso Estado foi a pior de todos os tempos: mais de 800 mortos e mais de 500 desaparecidos.
No meio de toda a dor e desespero, sobra tempo para os animais de companhia que ficaram órfãos com esse desatre?
Sobra, tem que sobrar.
Pela televisão vimos o desespero de uma senhora que tentou salvar seu cão, que infelizmente terminou sendo arrastado pela força incontrolável da enxurrada. Ela se salvou, mas o bichinho não.
Muitas vezes, entretanto, ocorreu o oposto, e cães e gatos se salvaram enquanto seus donos, tristemente, perderam suas vidas. Como fazer?
O problema de animais abandonados no Rio de Janeiro já é imenso, pois o governo dá pouco ou nenhum suporte para cães e gatos de rua. Agora, foram lançados às ruas incontáveis animais na região serrana.
Felizmente, há pessoas que se lembram dos bichos no meio de tanta dor.
Marco Antônio, o Totó, vem organizando feiras de adoção aos sábados, e tem tido sucesso: na última feira, todos os 51 animais foram adotados.
É a caridade de gente que já tem um cão ou gato dentro de casa, e deseja dar um lar para algum órfão das chuvas, ou de quem jamais teve, mas acha o momento perfeito para começar.
Há um processo rigoroso de seleção por parte dos voluntários que se encarregam das doações, porque não adianta nada levar para casa na empolgação e depois desanimar e querer devolver, ou pior, abandonar de novo. Animal de estimação não é brinquedo...
Para quem deseja adotar, ou conhece alguém que tenha essa vontade, informações sobre as feiras de adoção podem ser obtidas nos telefones 9969-3356 / 9632-8115 ou pelo email: andrealambertvet@gmail.com
Um abraço e meus pêsames a todos que perderam alguém nesse desastre."
sábado, 29 de janeiro de 2011
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Injustiça com uma criança
Dessa vez, excepcionalmente não falarei sobre nenhum assunto do universo dos animais de companhia. Em vez disso, discorrerei sobre um fato indescritivelmente injusto que aconteceu em um condomínio da Barra da Tijuca.
Uma senhora, avó de um menino, acompanhada de seu marido, começou a falar em voz alta, lançando acusações sobre o filho da empregada de uma outra senhora. Um menino negro, e pobre – portanto, na cabeça dessa senhora, indefeso.
- Olha, esse menino pegou o caminhãozinho do meu neto – disse ela, sob o olhar conivente de seu marido, na frente de várias pessoas. – Tudo bem, isso é coisa de criança, mas a mãe dele deve conversar com ele para que isso não vire um mau hábito...
- Me desculpe, mas tenho certeza de que está enganada. O caminhão deve estar em algum outro local do seu apartamento, porque o filho da minha empregada jamais faria isso – respondeu a outra.
Mas a primeira insistiu, dizendo que o menino tinha pego, com certeza, e que estava falando aquilo para o bem dele, para que a mãe o educasse.
Me pergunto se ele fosse filho de algum rico proprietário se ela teria feito a acusação da mesma forma... Aliás, no dia havia outras crianças no local, mas só ele foi acusado.
Bem, a senhora acusada foi ao apartamento do casal acusador, levando a empregada e o filhinho dela.
Apavorado, o menino olhava para os rostos que o fitavam.
- Olha, eu sei que você pode ter pego por engano, isso acontece. Pode dizer a verdade... – disse a acusadora.
O menino de cinco anos ficou assustado, e tentou se defender, dizendo que o caminhão tinha caído debaixo do sofá, que ele se lembrava daquilo.
- Não é verdade, eu já olhei debaixo do sofá – insistiu a senhora.
Apavorado, ele apontou para baixo do sofá, no local onde ele se lembrava do caminhão ter caído. Para surpresa do casal – mas não da mãe ou da patroa – eles encontraram o caminhão ali, exatamente onde o menininho dissera que estaria.
- Ah, então me desculpe, foi um engano – desculpou-se a senhora, como se aquilo fosse o suficiente para apagar todo o sofrimento, o medo e os traumas futuros que uma acusação dessa podem fazer a uma criança tão pequena.
Aproveito para pedir que cada leitor dessa coluna imagine se isso acontecesse com seu filho, seu neto...
Dessa vez minha coluna seria leve, com uma bela mensagem de Natal e Ano-Novo para todos os leitores. Mas há uma frase, do filósofo irlandês Edmund Burke, que diz “Para que o mal vença, basta que os bons não façam nada”.
Um feliz Natal e um excelente Ano-Novo, mas acima de tudo um final de ano com justiça, bondade e tolerância.
Até 2011...
Uma senhora, avó de um menino, acompanhada de seu marido, começou a falar em voz alta, lançando acusações sobre o filho da empregada de uma outra senhora. Um menino negro, e pobre – portanto, na cabeça dessa senhora, indefeso.
- Olha, esse menino pegou o caminhãozinho do meu neto – disse ela, sob o olhar conivente de seu marido, na frente de várias pessoas. – Tudo bem, isso é coisa de criança, mas a mãe dele deve conversar com ele para que isso não vire um mau hábito...
- Me desculpe, mas tenho certeza de que está enganada. O caminhão deve estar em algum outro local do seu apartamento, porque o filho da minha empregada jamais faria isso – respondeu a outra.
Mas a primeira insistiu, dizendo que o menino tinha pego, com certeza, e que estava falando aquilo para o bem dele, para que a mãe o educasse.
Me pergunto se ele fosse filho de algum rico proprietário se ela teria feito a acusação da mesma forma... Aliás, no dia havia outras crianças no local, mas só ele foi acusado.
Bem, a senhora acusada foi ao apartamento do casal acusador, levando a empregada e o filhinho dela.
Apavorado, o menino olhava para os rostos que o fitavam.
- Olha, eu sei que você pode ter pego por engano, isso acontece. Pode dizer a verdade... – disse a acusadora.
O menino de cinco anos ficou assustado, e tentou se defender, dizendo que o caminhão tinha caído debaixo do sofá, que ele se lembrava daquilo.
- Não é verdade, eu já olhei debaixo do sofá – insistiu a senhora.
Apavorado, ele apontou para baixo do sofá, no local onde ele se lembrava do caminhão ter caído. Para surpresa do casal – mas não da mãe ou da patroa – eles encontraram o caminhão ali, exatamente onde o menininho dissera que estaria.
- Ah, então me desculpe, foi um engano – desculpou-se a senhora, como se aquilo fosse o suficiente para apagar todo o sofrimento, o medo e os traumas futuros que uma acusação dessa podem fazer a uma criança tão pequena.
Aproveito para pedir que cada leitor dessa coluna imagine se isso acontecesse com seu filho, seu neto...
Dessa vez minha coluna seria leve, com uma bela mensagem de Natal e Ano-Novo para todos os leitores. Mas há uma frase, do filósofo irlandês Edmund Burke, que diz “Para que o mal vença, basta que os bons não façam nada”.
Um feliz Natal e um excelente Ano-Novo, mas acima de tudo um final de ano com justiça, bondade e tolerância.
Até 2011...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Problemas com campanha de vacinação
Não é de hoje que presencio problemas com animais vacinados contra a raiva nas campanhasd do governo.
A idéia em si é louvável, afinal a raiva é uma zoonose fatal. Uma vez instalada no organismo de seres humanos ou animais, não há forma de combatê-la.
Mas algo na vacina utilizada não é bom para os animais, que apresentam diversos tipos de reações negativas, podendo ir de fortes reações alérgicas, letargia, e até a morte.
Segue abaixo uma matéria do site IG sobre os problemas da vacinação nessa última campanha.
Para que fique bem claro: a vacinação anti-rábica TEM que ser feita, obrigatoriamente. Em vez de ir em campanhas, entretanto, vacine seu cão ou gato em um médico veterinário. A vacina não é cara, e definitivamente vale a pena. E é só uma vez ao ano.
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/suspensa+a+vacinacao+de+caes+e+gatos+em+todo+pais/n1237794895057.html
A idéia em si é louvável, afinal a raiva é uma zoonose fatal. Uma vez instalada no organismo de seres humanos ou animais, não há forma de combatê-la.
Mas algo na vacina utilizada não é bom para os animais, que apresentam diversos tipos de reações negativas, podendo ir de fortes reações alérgicas, letargia, e até a morte.
Segue abaixo uma matéria do site IG sobre os problemas da vacinação nessa última campanha.
Para que fique bem claro: a vacinação anti-rábica TEM que ser feita, obrigatoriamente. Em vez de ir em campanhas, entretanto, vacine seu cão ou gato em um médico veterinário. A vacina não é cara, e definitivamente vale a pena. E é só uma vez ao ano.
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/suspensa+a+vacinacao+de+caes+e+gatos+em+todo+pais/n1237794895057.html
Combate ao abandono de animais
A Dra. Eliane Jessula, médica veterinária formada pela Universidade Federal Rural do RJ e com mais de vinte anos de experiência na clínica de pequenos animais, e animais silvestres, está iniciando uma campanha de conscientização e alerta para o problema dos animais abandonados.
Abaixo, o cartaz da campanha louvável da médica veterinária, com seus telefones.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Cão dono do dono

Pode parecer exagero, ou lenda, mas existe. E como.
Antes de mais nada é preciso que se entenda que o tipo de relação que você terá com seu cão deve ser baseado na personalidade dele. Há cães extremamente dóceis e de fácil trato? Sim, claro. E para esses eu posso dar mimos, deixar que façam tudo o que querem, sem ter problemas? Bem, não vamos tão longe assim, de deixar com que façam tudo o que quiserem – até porque todos devem ter limites -, mas esses cães dificilmente darão problemas, sejam relacionados com posse, territorialismo ou agressividade, seja simples desobediência ou arte.
Animais naturalmente dóceis e obedientes devem ter seus limites, e isso será simples dele aprender.
Agora, há cães que são de difícil trato desde o nascimento. Geniosos, nervosos, agitados, ferozes, desobedientes e implicantes. E, quando calha de um cão com esse temperamento cair com um dono que não impõe limites...bem, daí teremos exatamente o que diz o título lá em cima.
Mas o que pode ser feito?
Em primeiríssimo lugar deve-se pesquisar as características psicológicas da raça que se deseja adquirir. Veja se é exatamente isso o que se quer. Em caso de adoção de um vira-lata (parabéns!), deve-se utilizar um teste simples, que também deve ser feito pelos que optarem por um cão de raça – isso porque existem cães de diferentes personalidades dentro de uma mesma raça e até de uma mesma ninhada. Basta se segurar o pequenino em uma posição desconfortável (de barriga para cima, por exemplo), e ver como ele reagirá. Caso ele fique tranqüilo, aceite sem reclamar, sinal verde. Leve-o para casa sem medo. O mesmo vale caso ele reclame, esperneie, mas não fique histérico ou agressivo. O sinal amarelo se acende caso ele comece a gritar desesperado ou se debata demais. Pode se tornar um adulto agitado. E se ele tentar te morder, cuidado. Poderá ser um excelente cão de guarda. Mas como animal de companhia, dentro da sua casa... pode não ser o melhor.
Mas eu já tenho o meu “cão dono” adulto. E agora?
Bem, nunca é tarde para que ele aprenda. A frase “cão velho não aprende truque novo” é o maior engano. Mostre para ele quem manda (sem violência!). Uma boa dica é mandar que ele sente antes que você coloque comida para ele. Fazer aos poucos com que ele entenda que você é o líder, e não ele. Outra coisa boa é recompensar o fato dele PARAR de latir. Exemplo: ele late como um doido e você corre para fazer um carinho ou colocar a comida dele. Em vez disso, dê o carinho ou a comida quando ele ficar quieto. Assim ele começará a associar o silêncio dele com recompensas, e não terá motivos para latir alucinado.
Experimente levar seu amigo para uma consulta psicológico-comportamental com seu médico veterinário. Você receberá dicas e conselhos valiosos.
Grande abraço e até a próxima.
Antes de mais nada é preciso que se entenda que o tipo de relação que você terá com seu cão deve ser baseado na personalidade dele. Há cães extremamente dóceis e de fácil trato? Sim, claro. E para esses eu posso dar mimos, deixar que façam tudo o que querem, sem ter problemas? Bem, não vamos tão longe assim, de deixar com que façam tudo o que quiserem – até porque todos devem ter limites -, mas esses cães dificilmente darão problemas, sejam relacionados com posse, territorialismo ou agressividade, seja simples desobediência ou arte.
Animais naturalmente dóceis e obedientes devem ter seus limites, e isso será simples dele aprender.
Agora, há cães que são de difícil trato desde o nascimento. Geniosos, nervosos, agitados, ferozes, desobedientes e implicantes. E, quando calha de um cão com esse temperamento cair com um dono que não impõe limites...bem, daí teremos exatamente o que diz o título lá em cima.
Mas o que pode ser feito?
Em primeiríssimo lugar deve-se pesquisar as características psicológicas da raça que se deseja adquirir. Veja se é exatamente isso o que se quer. Em caso de adoção de um vira-lata (parabéns!), deve-se utilizar um teste simples, que também deve ser feito pelos que optarem por um cão de raça – isso porque existem cães de diferentes personalidades dentro de uma mesma raça e até de uma mesma ninhada. Basta se segurar o pequenino em uma posição desconfortável (de barriga para cima, por exemplo), e ver como ele reagirá. Caso ele fique tranqüilo, aceite sem reclamar, sinal verde. Leve-o para casa sem medo. O mesmo vale caso ele reclame, esperneie, mas não fique histérico ou agressivo. O sinal amarelo se acende caso ele comece a gritar desesperado ou se debata demais. Pode se tornar um adulto agitado. E se ele tentar te morder, cuidado. Poderá ser um excelente cão de guarda. Mas como animal de companhia, dentro da sua casa... pode não ser o melhor.
Mas eu já tenho o meu “cão dono” adulto. E agora?
Bem, nunca é tarde para que ele aprenda. A frase “cão velho não aprende truque novo” é o maior engano. Mostre para ele quem manda (sem violência!). Uma boa dica é mandar que ele sente antes que você coloque comida para ele. Fazer aos poucos com que ele entenda que você é o líder, e não ele. Outra coisa boa é recompensar o fato dele PARAR de latir. Exemplo: ele late como um doido e você corre para fazer um carinho ou colocar a comida dele. Em vez disso, dê o carinho ou a comida quando ele ficar quieto. Assim ele começará a associar o silêncio dele com recompensas, e não terá motivos para latir alucinado.
Experimente levar seu amigo para uma consulta psicológico-comportamental com seu médico veterinário. Você receberá dicas e conselhos valiosos.
Grande abraço e até a próxima.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
9 de setembro - dia do médico veterinário

Nesse mês de setembro, no dia 9, será comemorado o dia do médico veterinário.
Esse profissional pode atuar desde o preparo de alimentos de origem animal, até a clínica e cirurgia de cães e gatos, passando pelos zoológicos, animais de produção, ou por esportes como turfe e hipismo olímpico. E muito mais.
Toda vez que comemos alguma carne, ou bebemos leite, ou mesmo salpicamos queijo ralado sobre o macarrão, saiba que um médico veterinário esteve envolvido no processo.
A formação desse profissional requer cinco anos de estudos em tempo integral, período esse em que aprende-se genética, nutrição, clínica, cirurgia, estatística, química fisiológica, virologia, bacteriologia, microbiologia entre outras tantas disciplinas. É um curso puxado, que requer muito estudo e dedicação.
Quando um veterinário dá “uma olhada” no seu cão ou gato, por trás disso há anos de estudo pesado, estágios, cursos e palestras. Há milhares de horas atrás de livros. Só de faculdade são cinco anos, período integral.
Os animais são parte da natureza, e nós somos parentes de todos eles. Tratar com respeito um animal nada mais é do que respeitar a si mesmo, e até aqueles que não gostam de ter animais por perto devem admitir isso. É obrigação de todo veterinário tratar os animais com lealdade e respeito, e acima de tudo honestidade. Honestidade para curar, diminuir o sofrimento e em caso de abate, fazê-lo com compaixão e humanidade. Honestidade com o proprietário, falando sempre a verdade, aconteça o que acontecer.
Além disso, o veterinário deve ter serenidade e equilíbrio, para defender os animais sem exageros, tendo em mente que é também nosso papel proteger os interesses do ser humano.
Isso é provado no juramento do médico veterinário, que todo formando deve fazer:
“Sob a
proteção de Deus PROMETO que, no exercício da
Medicina Veterinária, cumprirei os dispositivos legais e
normativos, com especial atenção ao Código de
Ética, sempre buscando uma harmonização perfeita
entre ciência e arte, para tanto aplicando os conhecimentos
científicos e técnicos em benefício da
prevenção e cura de doenças animais, tendo como
objetivo o Homem. E prometo tudo isso fazer, com o máximo
respeito à ordem pública e aos bons costumes, mantendo o
mais estrito segredo profissional das informações de
qualquer ordem, que, como profissional tenha eu visto, ouvido ou lido,
em qualquer circunstância em que esteja exercendo a
profissão. Assim o prometo.”
Mas o carinho e o amor pelos animais não se aprende na faculdade. Isso nasce com a gente, é uma vocação que todo médico veterinário deve ter. Uma vocação que os pretendentes a veterinários têm que ter. Qualquer outro motivo que o leve para essa carreira, perde o sentido sem essa vocação.
Grande abraço e até a próxima.
Esse profissional pode atuar desde o preparo de alimentos de origem animal, até a clínica e cirurgia de cães e gatos, passando pelos zoológicos, animais de produção, ou por esportes como turfe e hipismo olímpico. E muito mais.
Toda vez que comemos alguma carne, ou bebemos leite, ou mesmo salpicamos queijo ralado sobre o macarrão, saiba que um médico veterinário esteve envolvido no processo.
A formação desse profissional requer cinco anos de estudos em tempo integral, período esse em que aprende-se genética, nutrição, clínica, cirurgia, estatística, química fisiológica, virologia, bacteriologia, microbiologia entre outras tantas disciplinas. É um curso puxado, que requer muito estudo e dedicação.
Quando um veterinário dá “uma olhada” no seu cão ou gato, por trás disso há anos de estudo pesado, estágios, cursos e palestras. Há milhares de horas atrás de livros. Só de faculdade são cinco anos, período integral.
Os animais são parte da natureza, e nós somos parentes de todos eles. Tratar com respeito um animal nada mais é do que respeitar a si mesmo, e até aqueles que não gostam de ter animais por perto devem admitir isso. É obrigação de todo veterinário tratar os animais com lealdade e respeito, e acima de tudo honestidade. Honestidade para curar, diminuir o sofrimento e em caso de abate, fazê-lo com compaixão e humanidade. Honestidade com o proprietário, falando sempre a verdade, aconteça o que acontecer.
Além disso, o veterinário deve ter serenidade e equilíbrio, para defender os animais sem exageros, tendo em mente que é também nosso papel proteger os interesses do ser humano.
Isso é provado no juramento do médico veterinário, que todo formando deve fazer:
“Sob a
proteção de Deus PROMETO que, no exercício da
Medicina Veterinária, cumprirei os dispositivos legais e
normativos, com especial atenção ao Código de
Ética, sempre buscando uma harmonização perfeita
entre ciência e arte, para tanto aplicando os conhecimentos
científicos e técnicos em benefício da
prevenção e cura de doenças animais, tendo como
objetivo o Homem. E prometo tudo isso fazer, com o máximo
respeito à ordem pública e aos bons costumes, mantendo o
mais estrito segredo profissional das informações de
qualquer ordem, que, como profissional tenha eu visto, ouvido ou lido,
em qualquer circunstância em que esteja exercendo a
profissão. Assim o prometo.”
Mas o carinho e o amor pelos animais não se aprende na faculdade. Isso nasce com a gente, é uma vocação que todo médico veterinário deve ter. Uma vocação que os pretendentes a veterinários têm que ter. Qualquer outro motivo que o leve para essa carreira, perde o sentido sem essa vocação.
Grande abraço e até a próxima.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Cães grandes & crianças pequenas
“Doutor, tenho um filho pequeno, que ainda está aprendendo a andar, e quero muito um cachorro. Qual o senhor sugere?”
Ouço essa pergunta com certa freqüência. E muitas vezes minha resposta não agrada ao cliente, porque ele já vem com uma raça pré-definida na cabeça, e na verdade busca apenas a minha aprovação, dizendo que sua escolha é muito boa. Mas tenho que ser sincero, comigo mesmo e com o cliente, e respondo baseado em minha convivência com os cães como profissional do ramo. E também falo o que eu faria, caso o filho fosse meu.
Bem, o ideal é que seja uma raça mansa, um cachorro do qual raramente se ouça falar em um indivíduo agressivo. Além disso, deve ser um cão paciente, daqueles que a criança possa apertar, puxar, brincar o dia inteiro e ele não se irrite. E, o principal (e ponto de maior polêmica), deve ser um cachorro pequeno.
Se eu já vi ou soube que cachorros grandes, enormes, que conviviam com crianças pequenas sem o menor problema? Claro que sim. Vários. Boxers, labradores, pastores alemães ou canadenses, e até mesmo rotweillers, cuja criança fazia até cavalinho em cima dele, sem que nada de mal acontecesse. Mas também já soube (embora raros), de casos de acidente, quando um cachorro se irrita por algum motivo e ataca a criança. O grande problema é que, por mais raro que seja esse tipo de acidente, quando acontece, costuma ser muito sério.
Vejam, é claro que sei que há muitas pessoas que deixam seus filhos pequenos brincarem livremente com cães grandes, até porque em muitos dos casos o cão é mais velho que a criança, ou seja, chegou antes dela. Mas uma coisa deve ficar bem clara, do ponto de vista de um médico veterinário: por mais confiável e afetivo que um cachorro seja jamais deixará de ser um cachorro e, como tal, pode, num determinado momento, perder a paciência. E os cães, quando irritados, costumam reagir com mordidas. Acreditem, em quase cem por cento dos acidentes envolvendo cães e seus próprios donos, o animal não teve a menor intenção de machucar o seu proprietário. Mas é a forma dele dar um “chega pra lá”, de dar um safanão em alguém. É a forma canina. É mordendo.
O grande problema, voltando a nosso assunto inicial, é que um “chega pra lá” de um cachorro de cinqüenta quilos, em um adulto, pode se traduzir em uma mordida dolorosa, em um furo na mão, ou em um arranhão no braço ou na perna. Mas o mesmo “chega pra lá” desse mesmo cão em uma criança de dez ou quinze quilos é algo muito mais sério. Pode ser um tombo feio, uma mordida na mãozinha delicada, ou mesmo no rosto, já que na maioria das vezes a cabeça da criança está na mesma altura da cabeça do cão.
Mas o que deve ser feito, então? Bem, na verdade, é muito simples. Para aqueles que ainda não têm nenhum cão, recomendo que esperem um pouco mais, até que a criança já esteja andando bem, e que cresça um pouco mais. E que, mesmo então, comprem um cão de porte pequeno. E para os que já possuem um cãozarrão e que esperam pela chegada de uma criança? Devem se desfazer do animal?
É claro que não! Também é simples. Minha recomendação, nesses casos, é simplesmente evitar deixar o cão e a criança sozinhos. Estar sempre presente, sempre atento, e sempre próximo. É prevenir, para não remediar.
Ouço essa pergunta com certa freqüência. E muitas vezes minha resposta não agrada ao cliente, porque ele já vem com uma raça pré-definida na cabeça, e na verdade busca apenas a minha aprovação, dizendo que sua escolha é muito boa. Mas tenho que ser sincero, comigo mesmo e com o cliente, e respondo baseado em minha convivência com os cães como profissional do ramo. E também falo o que eu faria, caso o filho fosse meu.
Bem, o ideal é que seja uma raça mansa, um cachorro do qual raramente se ouça falar em um indivíduo agressivo. Além disso, deve ser um cão paciente, daqueles que a criança possa apertar, puxar, brincar o dia inteiro e ele não se irrite. E, o principal (e ponto de maior polêmica), deve ser um cachorro pequeno.
Se eu já vi ou soube que cachorros grandes, enormes, que conviviam com crianças pequenas sem o menor problema? Claro que sim. Vários. Boxers, labradores, pastores alemães ou canadenses, e até mesmo rotweillers, cuja criança fazia até cavalinho em cima dele, sem que nada de mal acontecesse. Mas também já soube (embora raros), de casos de acidente, quando um cachorro se irrita por algum motivo e ataca a criança. O grande problema é que, por mais raro que seja esse tipo de acidente, quando acontece, costuma ser muito sério.
Vejam, é claro que sei que há muitas pessoas que deixam seus filhos pequenos brincarem livremente com cães grandes, até porque em muitos dos casos o cão é mais velho que a criança, ou seja, chegou antes dela. Mas uma coisa deve ficar bem clara, do ponto de vista de um médico veterinário: por mais confiável e afetivo que um cachorro seja jamais deixará de ser um cachorro e, como tal, pode, num determinado momento, perder a paciência. E os cães, quando irritados, costumam reagir com mordidas. Acreditem, em quase cem por cento dos acidentes envolvendo cães e seus próprios donos, o animal não teve a menor intenção de machucar o seu proprietário. Mas é a forma dele dar um “chega pra lá”, de dar um safanão em alguém. É a forma canina. É mordendo.
O grande problema, voltando a nosso assunto inicial, é que um “chega pra lá” de um cachorro de cinqüenta quilos, em um adulto, pode se traduzir em uma mordida dolorosa, em um furo na mão, ou em um arranhão no braço ou na perna. Mas o mesmo “chega pra lá” desse mesmo cão em uma criança de dez ou quinze quilos é algo muito mais sério. Pode ser um tombo feio, uma mordida na mãozinha delicada, ou mesmo no rosto, já que na maioria das vezes a cabeça da criança está na mesma altura da cabeça do cão.
Mas o que deve ser feito, então? Bem, na verdade, é muito simples. Para aqueles que ainda não têm nenhum cão, recomendo que esperem um pouco mais, até que a criança já esteja andando bem, e que cresça um pouco mais. E que, mesmo então, comprem um cão de porte pequeno. E para os que já possuem um cãozarrão e que esperam pela chegada de uma criança? Devem se desfazer do animal?
É claro que não! Também é simples. Minha recomendação, nesses casos, é simplesmente evitar deixar o cão e a criança sozinhos. Estar sempre presente, sempre atento, e sempre próximo. É prevenir, para não remediar.
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