CIRTA - Reabilitação Integrada

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Centro Integrado de Reabilitação e Terapias Aquáticas

DÚVIDAS

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Antibióticos


“ Olha, eu tenho uns antibióticos lá em casa que sobraram da última vez que meu cachorro ficou doente. Vou dar alguns para ele. Mal não vai fazer, certo?”
Parece exagero dizer, mas esse tipo de pensamento leva a problemas muito sérios que estão acontecendo, tanto na medicina humana , quanto na veterinária.
Antibióticos são medicamentos importantíssimos, grandes armas no combate às bactérias. Quando surgiram, revolucionaram a medicina, pois possibilitaram o tratamento de inúmeras doenças que até então matavam com frequência. Mas os antibióticos tratam apenas infecções por bactérias. Fungos, vírus, alergias ou doenças auto-imunes não são tratáveis por esse tipo de medicamento.
O grande problema em se dar um antibiótico para combater um problema que não seja causado por bactérias é que, além dele ser inútil nesse caso, ainda atrapalha, pois pode ajudar a doença (em casos de infecção fúngica, por exemplo, os antibióticos podem matar bactérias benignas e desbalancear a fauna e flora de determinado local)
Além disso, cada antibiótico tem um espectro de ação, e é indicado para problemas específicos. Muitas bactérias reagem a determinados antibióticos, mas não a outros. Quando você dá a medicação errada para seu cão ou gato, sem o conhecimento e o acompanhamento do médico veterinário, pode estar, sem querer, selecionando as bactérias mais resistentes, e criando uma infecção que será muito mais difícil de ser combatida.
A duração do tratamento é outro fator importantíssimo e determinante no sucesso do combate à doença, bem como as doses corretas de acordo com o peso do seu amigo e com o tipo de bactéria que está atacando: caso você dê uma dose muito baixa, ou por um tempo muito curto, pode selecionar bactérias resistentes. Caso dê doses altas demais, ou ministre os antibióticos por mais tempo do que deve, pode intoxicar o seu cão, sobrecarregando seu fígado ou seus rins.
Em suma, por favor jamais dê qualquer medicação para seu amigo sem falar com o médico veterinário primeiro. Em especial antibióticos.
Grande abraço e até a próxima.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Vacinas são importantes

Recentemente, uma nova onda surgiu: médicos que são contrários às vacinas.
Alguns médicos estão pregando que as mães não levem seus filhos para as campanhas de vacinação, e citam uma série de problemas que as vacinas causariam em seus filhos. O resultado é que há alguns meses, nos Estados Unidos, houve um grande surto de catapora - doença que estava praticamente erradicada há muitos anos. As autoridades tiveram que vir à público para pedir que os pais vacinassem seus filhos.
Longe de mim querer me meter nesse assunto, até porque não tenho argumentos científicos para falar sobre as vacinas humanas.
Mas posso transportar esse debate para o meu campo de atuação. E se a moda pega entre os médicos veterinários?
Antes que isso comece a acontecer, me antecipei e formei uma opinião sobre isso.
Sou contrário, totalmente contrário, à não-vacinação dos animais de estimação.
Durante décadas, alguns dos mais brilhantes pesquisadores do mundo, vêm se esforçando para desenvolver vacinas que ajudem aos animais a se livrarem de uma série de doenças mortais. Antes das vacinas, a raiva era uma praga, uma doença incurável que matava cães e gatos aos milhares, e que, quando contraída pelo ser humano, também era fatal. Outras doenças matavam aos milhares: cinomose nos cães e panleucopenia nos gatos são exemplos disso.
No começo da minha carreira, trabalhando em locais onde os clientes não tinham grande poder aquisitivo, e havia muitos que não vacinavam seus cães, tive a chance de ver dezenas de casos de cinomose. O cão fica com diarreia, vômitos, infecções no trato respiratório, nos olhos, e, acima de tudo, problemas neurológicos. A doença, extremamente contagiosa (geralmente acometia a ninhada inteira de filhotes), mata impiedosamente na maioria dos casos. Eu via vários animais ficando internados, tentando tratar os problemas decorrentes da doença, e morrendo mesmo assim. Seus donos gastavam muito dinheiro, em vão. Outros conseguiam se livrar do vírus, e ficavam com sequelas neurológicas que iam de tiques até convulsões, tendo que tomar remédios a vida inteira.
Atualmente, 100% dos meus clientes vacinam seus animais regularmente. Resultado: não vejo um caso de cinomose, ou qualquer outra doença para que haja vacina, há muitos anos.
As vacinas são aliados inestimáveis na luta contra as doenças que podem matar nossos animais de estimação.
Qualquer corrente contrária a isso se baseará em teorias perigosas, que se postas em prática poderão colocar em risco a vida do seu amigo. Será que vale a pena colocar a vida do seu animal de estimação nas mãos do acaso?
Vacine, sempre!
Grande abraço e até a próxima!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Livro: "Descomplicando a Veterinária"








DESCOMPLICANDO A VETERINÁRIA


Atualmente, existem no Brasil milhões e milhões de animais de estimação, essencialmente cães e gatos. 
A importância que esses companheiros têm em nossa sociedade tem crescido muito ao longo dos anos. Antigamente, cães e gatos eram alimentados com restos de comida, trancados do lado de fora de casa e eram banhados com sabão de coco quando estivessem muito sujos. Hoje é difícil ver um animal de estimação que não coma ração, não frequente pet shops que mais parecem salões de beleza e não faça parte da família.
 Há muitos anos escrevo matérias sobre os mais diversos temas do universo dos animais de estimação. Sempre recebi inúmeros emails dos leitores, elogiando, criticando ou querendo tirar dúvidas sobre as colunas. Recentemente, decidi compilar as melhores matérias em um livro, que acaba de ser lançado pela editora Multifoco.
O objetivo do livro é o de estreitar mais ainda os laços afetivos entre as pessoas e seus animais de estimação, tirando dúvidas fundamentais e contando casos reais que presenciei em minha profissão de médico veterinário.
Dividido em tópicos individuais, que podem ser lidos em minutos, não segue uma linha narrativa fixa. É um livro de consulta para ser lido antes de ir para o veterinário para que ele veja os dentes, os ouvidos, a pele do seu amigo. É um livro comovente, com histórias reais de amor, abandono, persistência, amizade, dedicação.
É um livro, sobretudo, para aqueles que amam seus animais de estimação, seus amigos do peito, seus fiéis companheiros.
O livro pode ser adquirido através de pedido diretamente ao autor, pelo email: jaymesandall@ig.com.br


* Jayme Sandall é médico veterinário desde 2002, quando se formou pela UFRRJ.
Já fez mais de quatro mil atendimentos em cães e gatos nas mais diversas situações. Começou sua carreira como plantonista em uma clínica 24 horas, trabalhando no setor de emergências, no horário da noite. Mais tarde, passou a trabalhar também no horário diurno. Trabalhou em algumas clínicas durante anos, como clínico e cirurgião geral. Atualmente, dedica-se exclusivamente aos atendimentos em domicílio e à literatura.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

AIDS Felina





Na década de oitenta, a sigla AIDS ficou muito conhecida, e espalhou o terror entre as pessoas de todo o mundo. Atualmente, se fala de AIDS felina. Será que a doença sexualmente transmissível que vem apavorando o mundo nas últimas décadas pode também atingir nossos gatos de estimação?
Felizmente, não.
É verdade que os gatos podem contrair AIDS. Mas apenas a sigla (em inglês) é igual. Não se trata da mesma doença, e portanto não há o menor risco de contágio – nem dos gatos pela AIDS humana, nem das pessoas pela AIDS felina.
Assim como nos humanos, a AIDS felina também é causada por um vírus. Ele ataca o sistema imunológico, destruindo as células de defesa, até deixar o organismo desprotegido contra quaisquer doenças. Dessa forma, seria correto dizer que o gato não morre devido à AIDS em si, mas sim acometido por outras doenças das quais não terá como se defender, já que seu sistema imunológico está muito prejudicado.
O contágio se dá através do contato com a saliva ou o sangue de gatos infectados. Ou seja, é muito fácil um gato soropositivo infectar outro, porque eles vivem se lambendo, e quando brigam, se mordem e se arranham.
Infelizmente, ainda não há uma vacina que previna a AIDS felina. E quando o gato se infecta, não há tratamento ou cura.
É muito importante, entretanto,descobrir se o seu gato é portador dessa doença. Caso haja qualquer dúvida – os principais sintomas são perda de apetite, emagrecimento, letargia, febre, linfonodos (gânglios) inchados -, peça ao seu médico veterinário que faça o exame. Caso on resultado seja positivo, você deve tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar não permitir que o gato doente entre em contato com outros gatos, em hipótese alguma. Dessa forma você evitará a disseminação da doença. Além disso, é importante que desse dia em diante você seja muito cuidadoso com o seu bichano, evitando de todas as formas possíveis que ele contraia alguma outra doença, desde verminoses até doenças de pele, pois isso poderá levá-lo à morte.
A prevenção – evitar que seu gato entre em contato com gatos de rua ou de procedência desconhecida – é a melhor forma de se evitar a doença.
Grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A importância de se ouvir o veterinário



Há algum tempo escrevi uma coluna sobre a importância de se ouvir o cliente. Nela, eu explicava como os médicos veterinários tinham que escutar o que seus clientes diziam, para acertar no diagnóstico e corrigir possíveis problemas no tratamento.
Dessa vez, escreverei sobre o papel do cliente nessa equação: a de escutar seu médico veterinário.
Quando se procura um veterinário, parte-se do pressuposto de que ele sabe o que está fazendo, e que por isso você se dispôs a pagar uma consulta para que ele resolvesse algum problema do seu animal de estimação. Então, nada mais lógico do que você seguir à risca o que ele lhe recomenda.
Infelizmente, há casos em que isso não acontece. Alguns clientes, certas vezes, modificam o tratamento preconizado pelo veterinário por conta própria. Tudo bem, obviamente todos têm o direito de discordar, e não é pelo fato do médico veterinário ter estudado que ele estará sempre certo (aliás, erra algumas vezes). Mas quando se toma a decisão de não seguir o que o profissional lhe falou, deve-se ter a consciência de que você está assumindo uma responsabilidade muito grande – a do tratamento não dar certo.
Nesse caso, você não poderá cobrar do veterinário, pois se não fez o que ele disse, como ele poderá lhe dizer os motivos do tratamento não estar dando certo?
Por isso, aconselho: quando discordar de algo que o médico veterinário lhe diga, converse com ele, debata, pergunte, mas não deixe de fazer o que ele prescreveu sem que ele saiba disso. E, caso o impasse continue, procure outro profissional. Será muito mais seguro para o seu bicho procurar uma segunda opinião do que fazer as coisas da sua cabeça, ou seguindo o conselho de curiosos e conhecidos.
Grande abraço e até a próxima!

segunda-feira, 26 de março de 2012

AVC

Para começo de conversa, vamos desconstruir essa sigla médica que, como tantas outras, parece coisa de outro mundo.


AVC = Acidente Vascular Cerebral = derrame.

O derrame é um termo popular, que reflete um dos tipos de AVC que existem: o acidente vascular hemorrágico. Nesse caso, há um verdadeiro “derrame”, um sangramento local que ocorre pelo rompimento de vasos dentro do cérebro. O segundo tipo de acidente vascular que existe é o isquêmico, onde o sangue não chega a determinado local do cérebro, por uma oclusão (entupimento) de um vaso.

São fatores praticamente opostos que causam o mesmo tipo de problema. Problema esse que, se está sendo abordado por essa coluna deve acometer aos nossos animais, certo? Infelizmente sim.

Os sinais característicos de um AVC são: queda abrupta, precedida de um ganido agudo; confusão mental; perda de equilíbrio e coordenação motora; repetição de movimentos (“pedalar” no chão ou rodopiar sempre para o mesmo lado); paralisia facial (animal fica com a língua de fora, geralmente de um só lado da boca, salivando bastante); convulsões...

Os animais mais propensos a desenvolver um derrame são os idosos, os obesos, os que apresentam problemas hormonais (hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo...), os animais altamente estressados e aqueles que apresentam convulsões frequentemente (mesmo fazendo uso de medicação de controle)

O que o proprietário deve fazer é entrar em contato imediatamente com seu médico veterinário. Animais acometidos por um AVC devem ser atendidos imediatamente. Quanto mais o socorro demorar, maior poderá ser o dano cerebral desse mal,e piores serão as sequelas. Deve-se evitar a histeria, pois isso pode piorar o quadro, uma vez que o animal pode entrar em desespero tanto pelo que está acontecendo com ele quanto pela reação do seu dono. Pegá-lo no colo de forma abrupta enquanto se chora aos gritos no ouvido dele não vai ajudar em nada. Tente manter-se calmo enquanto o leva para uma clínica ou aguarda a chegada do veterinário.

Apesar do quadro assustador – literalmente parece que nosso companheiro está morrendo -, o AVC tem tratamento, e em muitos casos o animal volta a ser o mesmo de antes, ou muito perto disso. É claro que passará por um tratamento rigoroso prescrito pelo veterinário, mas é importante saber que deve-se lutar para curar o seu amigo. Um AVC não é sinônimo de morte.

Grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cães grandes em espaços pequenos


Você escolheu, pensou, consultou um veterinário que lhe deu muitas dicas, e finalmente se decidiu: o cão ideal para correr pelo quintal da sua casa seria um golden retrivier, ou um doberman, ou dálmata, boxer, até mesmo um dinamarquês. Mas a vida dá voltas, e você teve que se mudar para um apartamento onde mal há espaço para que seu amigo se movimente sem esbarrar nas coisas. E agora?


Bem, meu primeiro conselho seria tentar encontrar um familiar ou amigo, alguém de confiança que realmente quisesse ficar com o cachorro, que gostaria de cuidar dele. Que ele pudesse continuar em uma casa, com terreno onde pudesse se exercitar livremente, e de preferência num local onde você possa visita-lo sempre que quiser.

“Isso nem pensar! Meu amigo e eu somos muito grudados, e um não vive longe do outro!”

Hum... ok. Isso é bom. Mas se você tem que ter noção de que agora terá muito mais trabalho do que antes. Ficar com seu cachorrão dentro do apartamento é até possível, mas vai demandar muito esforço.

Em primeiro lugar, ele não pode incomodar os vizinhos. Se ele estava acostumado a latir muito, lembre-se que agora você tem alguém morando bem ao lado, parede com parede com a sua casa. E convenhamos que o latido de um cachorro grande costuma ser de balançar as paredes. Então, o primeiro passo é controlar esses latidos. Isso pode ser feito conversando com seu médico veterinário. Ele pode lhe dar várias dicas, ou lhe indicar um adestrador que lhe ajude a solucionar o problema.

Depois, vem o problema da falta de espaço. Lembre-se, além da falta que ele vai sentir de fazer exercício, na casa antiga, seu cachorro estava acostumado a fazer as necessidades quando queria, e isso mudou. Você deve passear com ele pelo menos três vezes ao dia, tanto para que ele se exercite, quanto para que se acostume a fazer as necessidades somente na rua. “Mas três vezes não é demais?”. Demais? Imagine se você só pudesse ir ao banheiro três vezes ao dia...

Caso não tenha tempo para isso, você pode contratar um “passeador” que pegará seu cão na sua casa e o levará para a caminhar na rua.

Ah, e não se esqueça de levar um saco plástico na caminhada. Já reparou o tamanho do “número dois” do seu cachorrão? Pois é, ninguém vai gostar de pisar num desses bem no meio da calçada. Portanto, cate as fezes logo depois dele fazer (coloque o saco na mão como se fosse uma luva, e depois de recolher vire ao contrário).

Assim, seu amigo vai sentir menos a mudança de ambiente, e vocês vão poder ficar juntos, mesmo dentro de um “apertamento”.